A bronca do Marcos
Marcas que se recolhem à sua insignificância, criam significado.
Marcos Leta fundou o Do Bem, a Paz e a Fazendo Futuro.
Três marcas. Três categorias diferentes. Um denominador comum: foco obstinado em resolver algo real para um grupo específico de pessoas.
Ele é uma das pessoas que eu mais respeito quando o assunto é construção de marca com intenção.
E foi ele quem me deu uma bronca.
Deixa eu te contar o que aconteceu.
Desde que assumi o cargo de CBO da Silva Gym, estou liderando o processo de rebranding da marca. A Silva não é uma academia comum. Ela foi construída em cima de uma tese: fazer as pessoas de fato treinarem musculação. Não apenas frequentar uma academia. Treinar de verdade.
Nenhuma outra empresa do setor, low-cost ou premium, tinha resolvido isso de forma consistente.
Esse foco gerou comunidade. A comunidade gerou barulho. O barulho gerou reconhecimento.
A mídia começou a notar. O mercado começou a citar a Silva ao lado de empresas com décadas no setor. Marcas entraram em contato querendo parceria. Fundos de investimento apareceram. Bancos oferecendo crédito. Convites para o fundador palestrar.
E foi exatamente aí que começamos a perder o fio.
Eu estava viajando. Reuniões atrás de reuniões com empresas interessadas no barulho que a Silva tinha gerado. Me sentia útil. Me sentia estratégico. Me sentia no centro do movimento.
O Marcos me ligou e disse, mais ou menos assim: o que você está fazendo viajando aí? Você deveria estar no escritório, focado no rebranding. Vocês estão deixando o sucesso do momento te cegar para aquilo que fez vocês chegarem até aqui.
Doeu. Porque era verdade.
E o pior: eu sou especialista em estratégia e branding. Eu ensino isso. Eu escrevo sobre isso. E mesmo assim me deixei levar.
Aqui está o que aprendi, ou melhor, o que fui lembrado.
Comunidade não nasce de reconhecimento. Reconhecimento é consequência.
A Silva construiu comunidade porque resolveu um problema real que ninguém tinha resolvido antes. Quando o barulho chegou, a tentação foi usar esse barulho para crescer em direções que não tinham nada a ver com o problema original.
É assim que marcas perdem a alma sem perceber. Não de uma vez. Aos poucos. Reunião por reunião. Convite por convite. Tapinha nas costas por tapinha nas costas.
Columbia, Patagonia, Yeti, Nike, Nubank. Todas essas marcas passaram por esse momento de tentação. As que sobreviveram com força são as que lembraram, a tempo, quem elas eram antes do barulho.
Todo processo de rebranding real passa por isso.
Tem um momento de alto, onde o mercado te valida e você sente que chegou. Tem um momento de crise, onde você percebe que se afastou da essência. E tem um momento de redenção, onde você se reconecta com aquilo que te fez começar.
Não é fraqueza passar por isso. É parte do processo.
Mas é por isso que método importa. Processo importa. Ter alguém do lado de fora que te diz a verdade importa.
Eu tenho o Marcos para isso. Toda marca precisa de alguém assim.
O que você faz? Para quem você faz? Por que isso importa?
Essas perguntas não mudam quando o sucesso chega. Elas ficam mais importantes.
As marcas mais fortes se recolhem à sua insignificância. E é exatamente por isso que criam significado.
Boa semana.
LONA

eita! Obrigado por abrir esse aprendizado