Licença pra ser brega.
Passei a última semana imerso na década de 80 — cheguei até a sonhar com cenas de filmes e trilhas sonoras.
Caso você não saiba, sou sócio de uma academia, a Moura. Que tem um posicionamento que faz referência às décadas de 70/80, a chamada Golden Era do bodybuilding — época que o Arnold era campeão e treinava em uma das primeiras academias de atletas do planeta a Golds Gym em Venice, California.
Algumas marcas trazendo o passado a tona de forma enfática, outras usando como inspiração para algumas expressões — o fato é: acreditar que o passado era melhor do que o presente está em alta.
Veja, o papel do estrategista e gestor de marca é usar o branding para dar significado ao que é insignificante. Porque no final do dia é apenas uma academia, um lugar onde você paga para treinar.
Mas a experiência não pára no produto/serviço. A experiência é sobre como esse produto/serviço é empacotado em um universo associativo de crenças, referências, ideologias e sensações.
Por isso, minha pesquisa sempre está associada com o estudo do arquétipo da marca. No caso da Moura, o arquétipo é do Inocente — sim, eu sei; é fácil achar que por ser uma academia o arquétipo da marca deveria ser do Herói, mas não é assim que os arquétipos funcionam.
Veja, o posicionamento da Moura é pautado pelo resgate dos costumes de uma época que, supostamente, foi melhor. Uma época onde as coisas eram mais simples; quando você tinha menos informação e mais certezas.
O arquétipo do Inocente é aquele que acredita que o mundo pode ser melhor e as coisas podem ser mais fáceis.
As pessoas que têm ressonância com o arquétipo do Inocente anseiam pelo emprego perfeito, pelo par perfeito, pelo lar perfeito, pela família perfeita — pelo corpo perfeito — e pela vida ideal.
E se você pára para analisar as propagandas da época, você consegue ver esse arquétipo em ação. São propagandas onde a mensagem central é que a vida pode ser melhor — se vc comprar o produto do anúncio, claro.
A verdade é que esse arquétipo é uma licença para a marca poder ser brega. Porque afinal, acreditar em um final feliz é brega.
Essas são imagens de uma propaganda que estamos produzindo, onde vamos simular como se fosse um anúncio da época. Com direito a narrador com voz de rádio, trilha sonora techno 80, e title design com efeitos da época.
Essa newsletter é onde conto os bastidores de trabalhar com branding e confesso que a experiência com a Moura tem sido uma das mais desafiadoras da minha carreira. Em parte, porque é a primeira vez que preciso fazer a gestão da marca; e em parte, porque esse projeto não é pra um cliente, é para uma empresa na qual sou sócio.
Te convido a acompanhar os próximos passos da Moura e usá-la como estudo de caso, considerando que você tem acesso aos bastidores da construção dessa marca.
E, claro, abuse da pesquisa sobre arquétipos e referências para seus projetos. Construa um universo em volta da marca que você está trabalhando, porque é assim que você atrai as pessoas certas para ela.
Branding quote
Marcas grandes e duradouras tornam-se ícones não só das empresas, mas das culturas como um todo.
— CAROL PEARSONExtra Curricular
Essa série foi uma das minhas fontes de estudo. Eles fazem um top 10 dos acontecimentos mais importantes da década de 80, e cada episódio é sobre um tema específico. Pra Moura usei muito o episódio sobre streetwear e o sobre propaganda. Disponível no Disney+.
Agenda
→ Terça, quarta e quinta-feira, as 08h
Live no Instagram: 🔵 EMBD → Nosso encontro matinal para discutir o mercado criativo.
→ Terça-feira, 19h30:
Ⓜ️ Aula Grupo Marcados: aula exclusiva para membros.
→ Qualquer dia da semana
YouTube: pelo menos 2 vídeos semanais.
Ótima semana.
Lona




